domingo, 8 de novembro de 2009

Reflexões sobre “A sociedade de consumo”, de Jean Baudrillard

O aluno Bernardo Augusto Andrade da Costa, do Curso de Relações Públicas da FACHA - Faculdades Integradas Hélio Alonso, produziu um trabalho com base no livro "A Sociedade de Consumo" de Jean Baudrillard.
Suas reflexões são apresentadas a seguir.
Um dos sinais do nosso tempo, o consumismo, atende a uma lógica de mercado do mundo virtual em que vivemos, com todas as fronteiras permeáveis pela tecnologia, onde nem mesmo um regime fechado como o da China consegue impedir os blogueiros do país de se expressarem livremente na internet.
Tanto a troca de informações quanto de produtos ou tendências culturais atingiram o ápice na história da humanidade. Os portugueses das primeiras navegações nunca imaginariam a que estágio chegaria aquela empreitada, que passou penosamente pelo capitalismo selvagem do século XIX, em que crianças eram retiradas à força dos orfanatos para trabalharem nas fábricas inglesas até a morte. Não havia jornada de trabalho, leis trabalhistas ou previdência social. Neste contexto, surgiu o socialismo, para corrigir o nascente capitalismo que se mostrava desumano. Tanto que a previdência social apareceu na Alemanha em 1919, a partir do recado dado pelos russos em outubro de 1917.
“Outros outubros virão / Outras manhãs / Feitas de sol e de luz”, disseram os socialistas utópicos dos anos 70. Milton Nascimento, Fernando Brant e Márcio Borges sintetizaram bem nesta canção (O que foi feito devera) o sentimento daquela geração em relação à influência norte-americana em nossa cultura, que, na mesma época, se mostrou tragicamente sob a forma da Operação Condor, fábricas de ditaduras militares em série na América Latina. Cabe lembrar a figura histórica do agente da CIA Michael Santore,também conhecido como Dan Mitrione, professor de tortura que peregrinou por todos os países latinos nos anos 60 e 70 formando assassinos, entre os quais o delegado Sérgio Paranhos Fleury, até ser morto pelos Tupamaros, guerrilha urbana uruguaia. O episódio é narrado magistralmente no filme “Estado de Sítio”, do diretor Constantin Costa-Gravas.
A juventude utópica dos anos 60 e 70 também não poderia imaginar o estágio em que chegaria o sistema que outrora combateu. Não se lhes passaria pela cabeça que um dia pudessem obter gratuitamente O Capital de Marx em segundos e lê-lo em um aparelho eletrônico que pode armazenar milhares de exemplares. Este é sem dúvida um avanço. Se há dois séculos “o socialismo surgiu para humanizar o capitalismo selvagem”, como disse o poeta Ferreira Gullar em entrevista ao jornalista Roberto D’Avila, que foi ao ar no último domingo (25), a internet aparece hoje como agente democratizador e humanitário dentro do sistema em que surgiu o do qual se nutre, o neoliberalismo.
O nome muda com o tempo: grandes navegações, colonialismo, imperialismo, capitalismo e suas variantes: do selvagem ao neoliberal; mas a ideologia é a mesma, forjada no lucro. A escravidão, a exploração do homem pelo homem, são marcas deste modelo que persiste hoje sob a forma do consumismo, alimentado pelas transformações tecnológicas, pela proliferação dos gadgets.
Esta dependência consumista, torpor influenciado pela tecnologia e os meios de comunicação de massa, é sintetizada pelo estar na moda, uma forma de reciclagem cultural permanente de um individuo ou sociedade, baseado na globalização e eliminação das fronteiras culturais, como assinalado por Jean Baudrillard em “A sociedade do consumo”.
Um estilo de vida a cada estação do ano. Os padrões de comportamento mudam, por exemplo, quando os integrantes do programa “Pânico na TV” lançam a dança do caranguejo, ou quando o Alexandre Pato faz o símbolo do coraçãozinho na comemoração de um gol. Todos repetem gestos e tendências expressos por celebridades, aqueles que têm vitrine nos meios de comunicação de massa, principalmente na televisão. Este talvez seja o caráter escravizador do estágio atual em que se encontra o capitalismo, embora as pessoas não se dêem conta disso.
O problema é quando a ideologia da moda e os padrões de estética e beleza impostos pela mídia escrita, televisiva e falada, são transportados para o mercado de trabalho, por exemplo. E o que vemos é uma juvenilização em cada ramo profissional que muitas das vezes se mostra perigosa. Jovens juízes sem memória histórica, que não conhecem a Constituição de 88 e o quanto foi caro conquistá-la, uma das maiores vitórias do povo brasileiro, têm cometido erros gravíssimos em todas as instâncias do judiciário nacional. No jornalismo, a juvenilização das redações têm sido implacável, ocasionando queda de qualidade de um serviço extremamente importante para a democracia e a liberdade de nosso povo, haja vista o que vem ocorrendo com o Jornal do Brasil.
Não significa que o jovem não é capaz, muito pelo contrário, mas o ideal é que as experiências e média de idade dos funcionários de qualquer empresa sejam mesclados de forma eqüitativa. O problema é a juvenilização desenfreada, generalizada, resultado do achatamento dos salários, sina do sistema que progride em razão geométrica.
Se aplicarmos a lógica consumista à arte, teremos uma manobra orquestrada no sentido de empobrecimento do produto intelectual do artista, que passa a ser fabricado em série. O talento e criatividade não mais significam, e sim que tipo de gente aprecia determinada tendência artística que está sendo cultuada, ou melhor, consumida no momento. Trata-se da cultura consumida como um simples objeto que traz ao consumidor prestígio ou ascensão social, como assinalado por Baudrillard, na obra supracitada.
Os conteúdos veiculados por artistas fabricados em série como Ivete Sangalo e suas variantes, nas oficinas e conglomerados fabris dos meios de comunicação de massa, principalmente os estúdios de televisão, visam ao entorpecimento crítico e reflexivo do receptor, estratégia para que continuem consumindo qualquer lixo cultural que lhes é imposto sem qualquer tipo de questionamento. “Compre Batom, compre batom, compre batom...” A arte de qualidade, pelo contrário, é contestadora e subversiva, como o já citado filme de Costa-Gravas.
Este estágio de torpor crítico e refletivo também é muito provocado pela publicidade. O que seria do fascismo ou do nazismo sem a propaganda de convencimento das massas veiculadas pelo rádio e pelo cinema? Adquira tal produto que serás aceito, terá destaque, todas as mulheres lhe desejarão. Aceite tal idéia pois é a melhor e todos os outros já a aceitaram, não fique de fora, somos uma raça superior mesmo; foi assim que foi possível o Holocausto, maior crime da história da humanidade e que expôs o caráter bestial da raça humana, evento que deve ser lembrado e trazido à discussão agora em que se completam 70 anos do início da Segunda Guerra Mundial. Mas que, espantosamente, não foi levantado por nenhum jornal ou meio de comunicação. Por que será? Aqui, cabe uma ressalva para a série de quatro programas especiais do Observatório da Imprensa, comandado pelo jornalista Alberto Dines e que vai ao ar às terças-feiras pela TV Brasil, sobre aquela triste efeméride.
Em relação à ação orquestrada dos meios de comunicação para reduzir a capacidade crítica e reflexiva do receptor, será de grande valia lembrarmos o autor Ivo Luchessi. O teórico afirma, no ensaio “A cultura do olhar”, que “o universo midiático é uma grade tentacular usada pelo sistema, visando ao seu próprio benefício”. Dessa forma, os conteúdos são veiculados de maneira a fazer prevalecer os interesses das grandes empresas capitalistas, já que estas patrocinam os meios de comunicação, através da compra dos espaços comerciais, ou “reclames do plin-plin”, como diz o Faustão. Para tanto, é necessário investir na educação do “olhar ingênuo”, contemplativo e divagante, em detrimento de uma leitura prospectiva do que está sendo mostrado, com apreensão crítica e questionadora por parte do espectador, o que configura o “olhar perverso”, inquieto e angustiado. Ivo Luchessi destaca três mecanismos utilizados pela mídia eletrônica para anestesiar criticamente o telespectador: a superposição das imagens-informação; a justaposição de conteúdos desconexos e a interrupção do envolvimento subjetivo, em favor dos comerciais.
Aliados à tecnologia, os conteúdos veiculados pelo sistema midiático em sua programação perniciosa, visam apenas ao prazer imediato, sem nenhuma exigência reflexiva por parte do receptor, que, seduzido, se entrega à satisfação e ao deleite do entretenimento, sem fazer nenhum esforço em pensar e, conseqüentemente, não absorvendo nada. Dessa forma, a mídia contribui para o culto ao prazer, onde todos o procuram incessantemente, sem se darem conta que é justamente no enfrentamento das experiências de dor e sofrimento que o “ser” se fortalece e a subjetividade vai se fundamentando.
Dessa forma, as pessoas são empurradas programaticamente para o consumismo, numa tentativa de auto-satisfação através do “objeto”. As relações entre seres humanos ficam restritas à aparência, os indivíduos passam a valer o que possuem, o que ostentam e, diante de qualquer situação desagradável, qualquer incômodo, procuram a cura através de um “banho de loja”.

domingo, 11 de outubro de 2009

CINEMA, PETROBRÁS E CPI'S

Outro dia fui ao cinema Odeon, que fica na Cinelândia, de frente para onde, em outros tempos, ficava o Palácio Monroe. Paguei meu ingresso e entrei na sala. Senti um leve cheiro de mofo, mas não me incomodei a ponto de sair. Resolvi então subir para ver o filme no mezanino, lugar privilegiado por ficar numa altura bem interessante e possibilitar ver melhor a tela e, logo o filme.

Qual foi a minha surpresa ao chegar lá e me deparar com o estado do cinema. Cadeiras quebradas, descoladas do chão, carpete mofado, grade quebrada. Comecei a dar uma boa olhada em volta e percebi que o cinema estava sujo, maltratado e mal conservado. A primeira coisa que me veio à cabeça foi: “mas como pode um cinema que faz parte história do Rio de Janeiro e que recebe mais de R$ 20 milhões de patrocínio da Petrobrás estar neste estado”? Será possível que não haja fiscalização na utilização das verbas concedidas pela maior multinacional do país? O que vão pensar os freqüentadores deste cinema, que tem BR no seu nome? Que a Petrobrás está falindo? Que pelos seus corredores andam irregularidades, desvios de verbas, politicagem do mais baixo nível, sonegação fiscal?

Chego em casa com a cabeça permeada por estes questionamentos, nem me lembro mais do filme, ligo a TV e no jornal da noite estão anunciando a criação da CPI da Petrobrás. Não sei bem se fiquei chocada ou aliviada. Meu primeiro impulso foi o de acreditar que, enfim, teríamos uma clareza de onde foi parar todo o dinheiro investido nos projetos por eles patrocinados, mas imediatamente lembrei que CPI não passa de uma manipulação política para enfraquecer o governo que está no poder e que, no Brasil, tudo acaba em “pizza”. Só me resta lamentar pelo Odeon e começar a freqüentar o Unibanco Arteplex, que é patrocinado pelo maior banco privado do país, mas que é bonito, bem conservado e traz na programação a herança do que um dia foi o Odeon.



Tereza Castro Duque Estrada de Barros
Estudante de Comunicação Social – Jornalismo
Facha, 2/10/2009

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

ÁGUA MINERAL?

O Ministério Público Federal do Distrito Federal quer que os refrigerantes H2OH, da Pepsi Cola Indústria da Amazônia Ltda, e Aquarius Fresh da Coca – Cola do Brasil, mudem o nome para serem vendidos no país, alegando que são refrigerantes de baixa caloria, mas possuem nomes que remetem o consumidor a entender que seria água. Isto não é apenas um desvio de conduta, mas principalmente uma propaganda enganosa. Os próprios consumidores do H2OH e Aquarius, já não os consomem como refrigerantes, e sim como água mineral gasosa.
Verificando de outro ângulo, pode-se entender a “Jogada de Marketing” na atual movimentação publicitária. Tudo indica a verdadeira intenção dos organizadores, o que de fato expressa desvio de conduta. A própria jogada de marketing, no propósito de promover a boa venda do produto, apostando na “sede” do consumidor, exemplifica a insensibilidade e a ganância publicitária, que engana e ludibria para garantir um “suposto sucesso”. Esse tipo de comportamento fere vários princípios comerciais que garantem o êxito de uma marca. Foi este suposto “desvio de comportamento”, esta falta de caráter, que chamou a atenção do Ministério Público Federal.
A propaganda enganosa é a mais comum entre os meios publicitários; através dos rótulos, ela se beneficia da ingenuidade e da pouca informação do consumidor. Aproveitar-se da falta de conhecimento das pessoas, fere alguns tópicos do Código de Defesa do Consumidor, como também alguns princípios da própria cidadania.
A publicidade tem direito de avançar em seu próprio progresso, mas não tem o direito de violar o bom senso social. Todos sabem que H2O é a molécula da água. Existem garrafinhas de água mineral sem gás e também com água mineral gasosa. Uma das marcas de água mineral mais famosas é a São Lourenço, que vende produtos sérios. Na boa comercialização da H2O com ou sem gás, o próprio consumidor, por esta e outras boas marcas, talvez menos famosas, já tem em si que água é igual H2O. Foi uma péssima estratégia criar um refrigerante com nome de água. De fato a empresa está enganando muitos que pensam se tratar de uma nova marca de água mineral.
Parabéns ao Ministério Público por sua postura a favor dos consumidores da verdadeira H2O, em todo país, reconhecendo a veracidade publicitária dessas marcas enganosas, que sem nenhum constrangimento, pela força de sua posição capitalista comercial, e certamente da impunidade, devido a problemas na legislação brasileira, “jogam” pesado contra a sociedade.
Parabenizo, novamente, o Ministério Público, que não deixou “passar em branco”, antes reconheceu que a propaganda era enganosa, além de ferir o Código de Defesa do Consumidor e sua cidadania, também feria a Lei de Propriedade Industrial, que proíbe a indução, a falsa indicação quanto a sua origem, procedência, natureza, qualidade ou utilidade do produto ou serviço a que a marca se destina.






Osvaldo Luis Luciano Baptista
estudante de Comunicação Social
Facha, 01/10/2009

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Vamos acordar e ver corujas!

Aqueles que me conhecem, já sabem que sou uma grande fã e leitora incansável dos textos de Veríssimo. Outro dia, me deparei com mais um de seus deliciosos textos que fazem esquecer a correria do dia a dia e refletir sobre a vida, o mundo, as pessoas.Ele cita a metáfora da coruja da deusa Minerva, de Hegel e conclui: “Nenhuma filosofia ajuda a percorrer o caminho já percorrido”.
Se, segundo alguns historiadores, a História é cíclica e muito já foi filosofado sobre períodos similares, por que não aproveitamos toda esta sabedoria? Por que insistimos em compreender, “cair a ficha”, somente no final? Por que não refletimos sobre o passado para tentar melhorar o futuro? Ah! Se fosse simples assim, não haveriam corações partidos, lutas poderiam ser evitadas, e histórias de sucesso não teriam fim. Hoje em dia então, seria impossível! Seria necessária apenas uma pitada de reflexão, escutar alguém mais experiente, ler um “blog”, um conto ou pesquisar na Internet o que pensam grandes pensadores e pronto. Rapidamente, aplicaríamos a filosofia na História mundial, nacional, no nosso dia a dia (no trabalho, nos relacionamentos e até mesmo na saúde) e tudo estaria resolvido.
Por que compreendemos as coisas apenas no fim? Bem, acredito que nós seres humanos somos um tanto quanto curiosos demais e às vezes muito teimosos. Somado a isso, nossa sociedade tende a esquecer facilmente o passado, o que dificulta os momentos de reflexão. Além disso, devemos lembrar que o tempo passa cada vez mais rápido. São tantas as obrigações, as expectativas que muitas vezes nem percebemos que estamos ligados no automático. Como estamos sem tempo ou correndo cada vez mais contra o tempo, torna-se difícil usar a filosofia para compreender algo antes do fim.
Porém, em alguns casos mágicos, a filosofia consegue servir como aliada sim, e nos guia. Nestes momentos, diversos contextos favorecem cada caso e a luz da sabedoria vai aos poucos acendendo. No texto, ele também cita Marx que, ao contrário de Hegel, acreditava que a filosofia mostra para a História aonde ir. Isto acontece algumas vezes, pena não ocorrer constantemente, e cada vez menos. Deveríamos tentar abrir mais nossos olhos e observar mais a coruja da deusa Minerva.


Paula Bordallo Silveira
é estudante de Comunicação Social
Facha - 25/09/2009

A FILOSOFIA E O AMOR

Assim como Hegel compara a filosofia à coruja de Minerva, comparo as grandes histórias de amor à sua compreensão de filosofia. Talvez a comparação fique um pouco empobrecida ou o leitor possa achar piegas, mas sigo determinada neste assunto que, por hora, ronda meus pensamentos e apreende meus sentidos.


Durante uma conversa de bar com algumas amigas, claro, só no bar temos essas conversas, percebi uma ansiedade pairando no ar. Todas querendo encontrar o “grande amor” de suas vidas e todas bastante determinadas. Mas como saber se estamos entrando numa história de amor quando ela mesma nem começou? Assim como Hegel que constrói uma metáfora para dizer que “vivemos pra frente, mas compreendemos pra trás” em relação à história e a filosofia, posso dizer que, em se tratando de relacionamentos, não somos diferentes.


Para se viver um grande amor, sem plagiar Vinícius de Moraes, é preciso estar distraído. É preciso estar de bem com a vida e seguro dentro do que é seu. E um dia, quem sabe, de tanto olharmos para dentro de nós mesmos, tropecemos naquela pessoa que nos fará alçar vôos sem sair do chão, e quando olharmos pra trás, perceberemos que estamos vivendo a mais incrível história de amor de nossas vidas.


No amor não há regras, lugares comuns e muito menos certezas futuras. O que temos são os caminhos percorridos e que só podem ser mensurados com o tempo passado. Só olhando para trás é que podemos ter uma medida do “futuro” e do tamanho da história que vivemos. Por isso minhas amigas, vos digo, distraiam-se e vivam enfim “O Grande Amor”.







Teresa Castro Duque Estrada de Barros
é estudante de Comunicação Social
Facha - 25/09/2009

As necessidades dos tempos

Acordou atrasada, havia ignorado os reclames insistentes do despertador. Quando se deu conta de que horas eram, levantou –se apressada a fim de se aprontar e sair para o trabalho. Nesse meio tempo, entre tomar banho e pegar o ônibus, esqueceu-se de comer. Chegou, trabalhou, saiu do trabalho, pegou outro ônibus, e foi para um outro trabalho. Chegou, trabalhou novamente e apressou-se para pegar um coletivo até chegar à faculdade. Assistiu aulas, foi para casa, deparou-se com o livro do Freud que lia, pensou em ler um pouco. Desistiu. Tomou um banho e foi dormir sem comer, o cansaço e a preguiça não a deixaram preparar qualquer alimento.
O tempo para literatura, filosofia e até para palavras cruzadas se tornava cada vez mais escasso. Parou para pensar sobre o quanto pensar fazia falta. Todas as atribulações e funções corriqueiras que ocupavam o seu dia pareciam-lhe pouco. O tempo sempre foi uma questão. Desde os trovadores, passando pelos poetas e levado a sério pelos filósofos. A pressão que o tempo exerce sobre o humano, é irreversível. Para ela não era diferente. A compreensão histórica, aos olhos de Hegel, só pode vir quando o ciclo está chegando ao fim. A sabedoria subutilizada da coruja, que só vem ao anoitecer é uma metáfora interessante. E realmente, ela e todo o ser que habita este planeta sofrem desse mal-estar de “viver” no presente, idealizando o futuro e reforçando o passado. Talvez assim também se dê a História. Vivendo um presente, que contempla o passado e molda o futuro.
Marx já acreditava que o caminho percorrido nos mostra para onde ir e que é a filosofia que diz isso para a História. Seria muito ousado, ou talvez agressivo, que ela discordasse de Marx, pensador que se debruçou sobre os livros e que foi um grande estudioso da sociedade a fim de criar seu discurso, mas não poderia se furtar em expressar o que sentia. Sim, o que sentia. A contemplação humana que mais valia para ela era as dos sentidos. E suas sensações indicavam que a filosofia não mostra à História o caminho que esta deve percorrer. Isso, para ela, se daria de maneira inconsciente, a partir dos sofrimentos e necessidades dos humanos naquele contexto histórico. Seria de grande valia se pudéssemos, com certo distanciamento, pensar o que devemos fazer para sanar nossos males, nossas dores e as mudanças que são necessárias. Mas isso não se dá de forma racional, e sim pulsional. Dá-se, a partir de quando o calo começa a doer tanto no pé, de modo que precisamos arrancar os sapatos e arranjar novos deles, que sejam mais confortáveis. E estes provavelmente um dia também nos incomodarão.

Isabela Marinho Rangel
estudante de Comunicação Social
Facha - 25/09/2009

terça-feira, 29 de setembro de 2009

COMO ESCREVER UM ENSAIO E UMA CRÔNICA

CRÔNICA
Um dos elementos que caracterizam a crônica é a visão pessoal de um evento; é o seu ponto de vista, ou seja, a sua forma de ver o fato.
ETAPAS PARA ESCREVER SUA CRÔNICA
Escolha algum acontecimento atual que lhe chame a atenção. Consulte jornais, revistas, noticiários da TV. Outra forma de encontrar um tema é andar, abrir a sua janela, conversar com pessoas, ou seja, entrar em contato com a infinidade de coisas que acontecem ao seu redor. Tudo pode ser assunto para uma crônica.
O tema escolhido deve despertar seu interesse, causar alguma sensação interessante que pode ser: entusiasmo, horror, desânimo, indignação, felicidade, melancolia, paixão... Isso pode ajudá-lo a escrever uma crônica com maior facilidade.
Selecionado o acontecimento, tente formular algumas opiniões sobre esse fato. Frases como as que menciono abaixo podem ser um bom começo para você fazer a sua lista:-
“Quando penso nesse fato, a primeira idéia que me vem à mente”...
“Na minha opinião esse fato é”...
“Se eu estivesse nessa situação, eu”...
“Ao saber desse fato eu me senti”...
“Sobre esse fato, as pessoas estão dizendo que”...
“A solução para isso”...
“Esse fato está relacionado com a minha realidade, pois”...
Agora que você já formou opiniões sobre o acontecimento escolhido, é hora de escrever sua crônica. Seu ponto de partida pode ser o próprio fato, mas esse também pode ser mencionado ao longo do texto; procure usar a criatividade para criar seu próprio estilo, pois é isso que faz de um escritor um bom cronista.
Se você está interessado em saber um pouco mais sobre crônicas, consulte os seguintes livros:
* A criação literária- Prosa- Massaud Moisés – Editora Cultrix.
* A Crônica – Jorge de Sá – Série princípios – Editora Ática
* A Crônica – o Gênero, sua fixação e suas transformações no Brasil – Editora da Unicamp – São Paulo
Obs.:-Este texto-base está amparado no site:-www.tvcultura.com.br

ENSAIO
É um texto muito solicitado nas universidades, mas nem sempre é explicado aos alunos. Ensaio é um texto literário breve, entre o poético e o didático, que expõe idéias, criticas reflexões morais e filosóficas a respeito de determinado tema.
É menos formal e mais flexível que o tratado; consiste na defesa de um ponto de vista pessoal e subjetivo sobre um tema (humanístico, filosófico, político, social, cultural, moral, comportamental, literário, etc.) sem que se paute em documentos ou provas empíricas ou dedutivas de caráter cientifico.
O ensaio divide-se em:- formal ou discursivo e informal ou comum. No formal, os textos são objetivos, metódicos e estruturados, dirigidos mais a assuntos didáticos, criticas oficiais, etc.,... Já o informal, é mais subjetivo e caprichoso em fantasia, o que o torna menos denso. Um bom ensaio deve nos mostrar uma mente desenvolvendo uma tese, enraizando essa tese nas evidências, antecipando habilmente objeções ou contra argumentos, sustentada o ímpeto da descoberta.
VISÃO GERAL DE UM ENSAIO ACADÊMICO/TESE
Todo ensaio tem uma finalidade ou objetivo; a mera existência de uma tarefa ou de um prazo não é suficiente. A redigir um ensaio ou artigo de pesquisa, nunca se está simplesmente transferindo informações de um lugar para outro, ou demonstrando o domínio sobre uma certa quantidade de materiais.
A aprofundar-se no material, você começa a descobrir padrões e gerar percepções, guiado por uma série de questões que se desdobram. De certo número de possibilidades, uma idéia emerge, gradual ou subitamente... como a mais promissora.Você tenta certificar-se de que ela é original e tem alguma importância; não faz sentido argumentar sobre algo já conhecido, trivial ou amplamente aceito. É preciso avaliar se a idéia pode ser tratada numa breve nota, num artigo de vinte páginas ou se requer um livro inteiro.

Obs.:- O Centro de Redação da Universidade de Harvard (Kathy Duffin forneceu o texto-base para este trabalho).