sexta-feira, 28 de agosto de 2009

TIPOS DE REPORTAGEM

TIPOS DE REPORTAGEM
Podemos apontar três modelos fundamentais:
1. REPORTAGEM DE FATOS (fact-story) → Relato objetivo de acontecimentos que obedece na redação à forma da pirâmide invertida. Como na noticia, os fatos são narrados em sucessão, por ordem de importância ou cronologicamente. Em reportagens televisivas, quando se cobrem grandes acontecimentos, a edição parte do anúncio do fato, mas pode fazer de cada parte seguinte uma pequena notícia independente. Embora se caracterize pela objetividade, é possível encontrar exemplos em que o distanciamento seja menor.

2. REPORTAGEM DE AÇÃO (action-story) → Relato movimentado, que começa sempre pelo fato mais atraente, para ir descendo aos poucos na exposição de detalhes. O importante nessas reportagens é o desenrolar dos acontecimentos de maneira enunciante, próximo ao leitor, que fica envolvido com a visualização das cenas, como num filme. Na TV, o repórter participa da ação e deixa de ser um mero observador, para tornar-se parte da narrativa. É o caso de certas reportagens que podem até incorrer em riscos, como filmar e entrevistar pessoas durante um assalto, fazer-se passar por cliente para investigar um negócio ilícito, filmar venda de drogas, etc. O repórter está no meio dos acontecimentos; o testemunho, portanto, é importante em relatos desse tipo, pois confere maior realismo e credibilidade à ação. Para quebrar a frieza, por exemplo, de uma reportagem documental, e captar o interesse do leitor para os assuntos, muitas vezes usam-se recursos de reportagem ora de ação ora de fatos, mostrando que os modelos não são rígidos. Pode ocorrer também o contrário: uma reportagem de ação ou de fatos que contém também referências documentais (depoimentos ilustres, dados numéricos e estatísticos, ou informações sobre procedimentos técnicos). Nesse caso, quase sempre a reportagem deriva de uma notícia e pretende além da informação detalhada do fato, uma contextualização desse fato. Amplia o campo da abordagem e passa a informar sobre o tema.
A reportagem pode variar seus planos de texto ou seus esquemas, onde os tipos mais comuns são: cronológico, que é o contrário do esquema da “pirâmide invertida”, onde os fatos se hierarquizam por ordem de importância, começando o texto pelo fato mais remoto e não pelo mais importante. Dialético é um esquema comum na reportagem documental, onde o texto se põe a serviço da demonstração de uma idéia, e é também habitual quando se trata de questões controvertidas.

3. REPORTAGEM DOCUMENTAL (quote story) → Relato documentado, que apresenta os elementos de maneira objetiva, acompanhados de citações que complementam e esclarecem o assunto tratado. Comum no jornalismo escrito, esse modelo é mais habitual nos documentários de televisão ou do cinema. Reportagem documental é expositiva e aproxima-se da pesquisa. Ás vezes tem caráter denunciante. Na maioria dos casos é apoiada em dados que lhe conferem fundamentação, adquirindo cunho pedagógico, e se pronuncia a respeito do tema em questão.


4. OUTRAS FORMAS DE REPORTAGEM → A reportagem-conto, que particulariza a ação escolhendo um personagem para ilustrar o tema que pretende desenvolver; a reportagem-crônica, que se detém mais em situações fortuitas e flagrantes do cotidiano, conduzindo a narrativa de forma impressionista, por meio de um narrador colocado em posição observadora ou reflexiva; o livro-reportagem que é a compilação de textos já publicados em jornais ou trabalho feito para livro, mas concebido a partir de textos jornalísticos.
Tchekhov, jornalista e contista russo, dizia que um bom conto deveria ter: força, clareza, condensação e novidade.
Um texto tem força quando arrebata o leitor e faz com que ele chegue até o fim da narrativa. Os pressupostos para tal resultado estão ligados à seleção de elementos que combinados em seqüência, produzem um efeito, que pode ser de ordem emotiva ou racional.
A clareza é um atributo indispensável ao jornalismo e diz respeito à objetividade narrativa, com vistas à compreensão imediata.
A condensação refere-se à compactação de elementos, ou seja, à concentração e síntese com que se manipulam os recursos narrativos e descritivos. Está ligada à dosagem com que os elementos são dispostos em seqüência, fazendo com que essa dosagem vá em direção a um ponto máximo dentro da história. É um retardamento proposital da narrativa, que cria o “suspense” necessário à manutenção da curiosidade do leitor.
A novidade pode estar ligada ao acontecimento inédito – uma história surpreendente -, mas também diz respeito a uma observação diferente de qualquer assunto, ao ângulo insuspeitado na percepção de um fato, pessoa ou tema.

Fonte:
1. “Técnica Reportagem” – Nota sobre a Narrativa Jornalística – Muniz Sodré e Maria Helena Ferrari, 1º Ed., 1986, Summus.
2. “Técnicas de Codificação em Jornalismo” de Mário L. Erbolato, 4º Ed., 1985, Vozes.
3. “Linguagem Jornalística” de Nilson Lage, 8º Ed., 2006, Atica.

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